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A nova onda migratória do Líbano: números chocantes e resultados dolorosos

03/09/2021

Por Dr. Mahmoud Jebai – Traduzido da mídia do Líbano

www.alahednews.com.lb

A imigração é historicamente considerada uma das características mais marcantes do povo libanês antes mesmo da criação do Grande Líbano, onde os expatriados libaneses se espalham por várias partes do mundo e se distribuem em diferentes continentes e países do mundo. Eles sempre foram uma força de apoio ao Líbano em vários níveis, especialmente no campo da economia, cultura e política, e têm apoiado seu país em todas as conquistas que testemunhou desde sua criação até hoje.

Talvez os aspectos mais proeminentes do apoio atual sejam os depósitos e as transferências financeiras para suas famílias em regularidade mensal, que é considerado um dos componentes mais importantes da resiliência de mais de 200 mil famílias que residem no Líbano. Com a exacerbação da recente crise econômica e financeira que afligiu o Líbano há dois anos e ainda se intensificando e continuando assustadoramente sem soluções claras no horizonte, a migração tornou-se um sonho que acompanha a maioria dos trabalhadores no Líbano dos vários setores, especialmente após o colapso do valor da moeda nacional e a perda do poder aquisitivo de seus salários, bem como a ausência dos elementos básicos do dia a dia de Eletricidade, Combustível, Remédios entre outros, piorando com o corte progressivo dos subsídios vindo a ser uma realidade inevitável.

Portanto, trabalhar no exterior para garantir uma renda adequada para a família e uma vida decente tornou-se um requisito necessários para mais de 70 por cento do povo libanês, e este número assustador nada mais é do que um indicador perigoso que ameaça o colapso da vida econômica e social como um todo, semelhante ao que aconteceu no Zimbábue e na Venezuela e, isso se nenhum choque positivo ocorresse logo o que daria um pouco de confiança perdida pela maioria dos libaneses, no sistema político existente que levou o país a um estado de colapso total, por meio de políticas econômicas aleatórias e o corrupto sistema de cotas que destruiu os componentes do trabalho administrativo em diversos setores do Estado.

Grupos-alvo para este fenômeno

O que chama a atenção na nova migração é que, além dos jovens desempregados que neles há as competências da garantia para a continuidade da produtividade do trabalho em setores básicos como saúde e educação, incluindo médicos, farmacêuticos, professores universitários e secundários o que sempre constituiu uma garantia do desenvolvimento destes setores. De acordo com as estimativas, a proporção de professores imigrantes até à data atinge cerca de 15% do corpo docente e os restantes aguardam oportunidade para o fazer. Além disso, o número de médicos imigrantes atingiu 1.200 entre os médicos mais qualificados até à data, de acordo com o Sindicato dos Médicos (há 15 mil médicos no Líbano), e o número tende a aumentar diariamente.

Da mesma forma, os trabalhadores dos campos produtivos da agricultura, indústria e tecnologia da informação estão pensando seriamente em deixar seus empregos e ir para o exterior em busca de um trabalho que garanta para eles e suas famílias as várias necessidades da vida que lhes são retiradas em sua pátria. Em consequência da crise sufocante do país, a maior parte delas viu-se obrigada a aceitar ofertas muito mais baixas devido à ausência de horizonte futuro em sua terra natal, e essa questão tende a valer para quem espera a imigração e está disposto a aceitar qualquer salário mensal que garanta um mínimo de trabalho e estabilidade de vida.

Da mesma forma, a migração não se limita apenas aos trabalhadores e jovens, pois vai além para alcançar investidores e proprietários de capital para os quais o Líbano não constitui mais um porto seguro para investimentos em vários campos. Portanto, com a contínua exacerbação da crise, muitos investidores preferiram fechar seus negócios no Líbano e transferi-los para outros países a fim de garantir uma continuidade adequada de seus projetos.

As repercussões da nova imigração na economia e na sociedade libanesa.

Certamente, se a imigração continuar nesse ritmo acelerado e em números muito elevados, como esperado, ela terá repercussões muito sérias no Líbano, principalmente nos aspectos econômicos e de desenvolvimento, que podem ser assim resumidos:

  • A perda de recursos humanos eficientes e qualificados do setor libanês, o que inevitavelmente enfraquecerá a produtividade e a qualidade do trabalho.
  • A destruição de setores de trabalho como o setor saúde e educação, que depende primordialmente do elemento humano diferenciado.
  • Diminuição da taxa de investimento público após o aumento da taxa de fechamento dos juros comerciais, o que enfraquecerá ainda mais o crescimento econômico.
  • Um desequilíbrio na pirâmide populacional devido à migração da maioria dos grupos de jovens, o que fará do Líbano um país de idosos.
  • A perda do elemento de confiança entre as gerações presentes e futuras em sua pátria Líbano, o que enfraquecerá seu estado de integração na sociedade, e este é um indicador muito perigoso para o componente humano libanês.

O aumento do indicador de emigração pressagia um grande e iminente perigo no futuro próximo, que soará o alarme em vários setores, sem exceção, e suas repercussões negativas afetarão toda a sociedade libanesa de todas as confissões, com suas várias filiações partidárias e políticas, e nenhum partido libanês será poupado, independentemente da extensão de suas capacidades. Todos os envolvidos no Líbano devem prestar atenção a esta crise agravante por meio de esforços combinados para parar suas disputas políticas a fim de salvar a Entidade libanesa de sua morte.

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