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A realidade da visita do Papa ao Líbano não será explorada por interesses restritos – Por Tony Khoury

Por Tony Khoury – especial para El Nashra – Tradução Dr. Assad Frangieh

Alguns no Líbano não hesitaram em arrastar Sua Santidade o Papa Francisco para os corredores de interesses pessoais ainda sob o pretexto de defender o Papa e mantê-lo longe das vielas libanesas. Alguns sabem, ou talvez não, que o Papa toma suas decisões com base nos dados que possui e que recebe de muitas fontes e através de seu acompanhamento diário dos assuntos, quanto mais quando se trata do Líbano? Como alguns  podem ser tão ingênuos a ponto de sugerir que pode influenciar as decisões da Santa Sé? Por que insistir em subestimar o Papa, sua posição, habilidades e capacidades, para dizer às vezes que ouve este ou aquele funcionário para reclamar e tomar sua decisão, e outras vezes dizer que está “vingando” este ou aquele funcionário por fazer algo?

Ontem (6/04/2022), a informação da visita do Papa Francisco ao Líbano entrou no bazar deste banal mercado de debates, depois que o Palácio Baabda emitiu uma declaração afirmando que o Papa Francisco visitará o Líbano em junho próximo, o “mundo se virou” como se o Presidente da República o incluiu em seu time de jogadores nas próximas eleições… e todos que tentaram defender o Papa neste respeito, no entanto, se condenaram quando o Sumo Pontífice mesmo condena esta atitude.

Quanto aos fatos recolhidos sobre a questão da visita, segundo fontes diversas, podem ser visto da seguinte forma: Todos concordam que a visita estava para acontecer, e que inevitavelmente acontecerá depois das eleições parlamentares (alguns vão ligá-la à realização dessas eleições), e que acontecerá antes do final deste ano e até antes do final do mandato de Presidente de Michel Aoun, porque o Papa não quer visitar o Líbano sem ele estar lá dado o valor religioso e moral desta posição neste país.

A data da visita foi anunciada nas redes sociais e em alguns meios de comunicação antes de ser anunciada a partir do Palácio Baabda e, portanto, isso significa que a acusação de exploração da visita não está em vigor. Uma visita deste tipo não está sendo preparada apenas para o Palácio Baabda, e a semelhança das visitas que o Líbano testemunhou aos papas anteriores (São João Paulo II e Papa Bento XVI), há muitas instâncias coordenam juntas para garantir todos os aspectos religiosos, litúrgicos, logísticos, de segurança e protocolares ´para definir o programa da visita e que o Papa aprovará exclusivamente, em todos os seus detalhes. Se isso indica alguma coisa, então muitas entidades tinham conhecimento prévio da visita.

Todos concordam que o que foi emitido pelo Palácio Baabda é correto, porque veio pela primeira vez após a visita do Embaixador Papal no Líbano Monsenhor Joseph Spiteri a Aoun e que apareceu através das fotos distribuídas sobre a reunião carregando uma mensagem escrita . O comunicado não especificou uma data exata para a visita, mas apenas indicou o mês em que ela aconteceria, e não mencionou seu programa porque requer a aprovação do Papa Francisco. Foi estranho que nenhuma posição tenha sido emitida pela Embaixada Papal no Líbano ou pelo próprio Monsenhor Spiteri sobre o debate em andamento, pois ele é o primeiro preocupado com o assunto, e o atual embaixador não é novo na diplomacia e já representou o Vaticano em muitos países, pois trabalhou por um período considerável na secretaria de Estado do Vaticano (Departamento de Relações com os Estados), e é improvável que ele perdoe um erro fatal se ocorrer, para agradar a qualquer um, podendo fazê-lo de uma forma diplomática que não falta, é claro.

Ninguém, independentemente de sua posição, pode aproveitar uma visita do Papa a um país. As visitas papais diferem radicalmente das visitas de presidentes e de altos funcionários nos países do Mundo. Quando ele visita um país, ele visita o povo daquele país em primeiro lugar, e a visita não pode ser colocada na categoria de seita ou religião única, porque ela é abrangente, então os papas fazem questão de concordar pessoalmente com a programa de visita para evitar qualquer mal-entendido de sua finalidade.

Como ele se beneficiará da visita, se ocorrer primeiro depois das eleições, e quem se beneficiará dela se for abrangente e seu objetivo em primeiro lugar é que o povo libanês precisa nestes tempos difíceis resistir e superar as sucessivas crises que os afligem? As visitas papais vêm para reforçar a posição do país em se recuperar, mas nós no Líbano temos essa capacidade “satânica” de tentar minar o valor de tais visitas, porque em todos os países do mundo prevalecem a alegria e a esperança entre os povos que ele pretende visitar, mesmo de seitas não cristãs, enquanto alguns desfrutam no Líbano na busca de razões e escalas para que a visita perca seu verdadeiro significado e os possíveis resultados que o Sumo Pontífice pretende dar uma dose moral necessária para os povos desse país.

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