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Rosa, esposa do memorável Felício Frange de Ubatuba – MG

Tema: Retratos de Famílias

Periodo: De 1901 até 1920

Pais: Líbano

Cidade ou vilarejo: Zgharta - Zghorta

Tipos de arquivo: Fotos

Família: Frangieh - Franjieh - Frangiê - Frange

Fonte: Carta do Líbano – Edição 168

Felício Frange foi, também, um homem memorável, um cidadão exemplar. Ele abatia o gado, às segundas, quartas e sextas feiras e, logo após, partia em direção aos açougues para a distribuição da carne, mas antes passava por asilos, creches, instituto de cegos, etc… onde deixava a quantidade necessária de cada um.

Esse compromisso, ou melhor, essa obrigação a que ele se propôs não tinha nenhum contrato firmado entre as partes, como também não tinha nenhum pedido por parte das entidades. Fazia isso porque achava que devia fazê-lo. Após todo esse ritual retornava para casa, tomava um banho e almoçava por volta de 10h30, 11h00 da manhã, almoço esse que era feito em grande quantidade pois ele criou o hábito, entre as pessoas pobres do bairro de, diariamente, irem lá pedir um prato de comida que jamais foi recusado. A maioria levava uma pequena sacola onde ele, pessoalmente, através da janela, colocava um pedaço de carne para a família do mendigo. Essa passagem que eu vivenciei, quando criança, nunca me saiu da memória.

Em 1948 ele e sua filha Esmeralda, que sempre esteve à frente das iniciativas sociais, fizeram parte dos fundadores da Sociedade de Assistência aos Lázaros. E tenho certeza que toda a Uberaba chorou com sua morte. Morte de uma das maiores beneméritos dessa cidade, um homem que tinha uma estatura moral como poucos que já vi. Temos que fazer justiça, não esquecendo de falar de sua esposa e companheira de toda a sua vida: Rosa, uma libanesa que chegou ao Rio de Janeiro em 1913, em Uberaba em 1916 e lhe deu seis filhos, Esmeralda, José, Neif, Olga, Dalva, minha mãe e Maria. Tinha grande devoção a ele e seus descendentes. Em tudo o ajudou e sempre o apoiou em suas obras. Ela nunca perdeu o sotaque da língua pátria e sempre nos dizia: tem duas palavras que não consigo falar: “bassora” (vassoura) e “manjoca” (mandioca). Nas palavras de sua neta Olga Maria Frange, hoje uma grande pianista, maestrina e escritora que está escrevendo um livro sobre “Os Pioneiros da Música em Uberaba”, de 1815 até o final do século 20, “Ele tinha um temperamento solar, brilhante, barulhento e  invasivo e ela, Rosa, era lunar e se colocava sob uma luz diáfana e noturna em relação ao astro-rei. Assim eles se completavam”