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Salim Antônio Curiati de Avaré – Um autentico imigrante libanês

Tema: Chegada no País

Tema: Retratos de Pessoas

Periodo: De 1901 até 1920

Pais: Líbano

Cidade ou vilarejo: Tiro ou Sur

Tipos de arquivo: Fotos

Família: Curiati

Habilidoso na arte de confeccionar calçados, o imigrante libanês Salim Antônio Curiati marcou a história do comércio avareense. Ele aprendeu o ofício numa escola técnica profissional francesa mantida em Beirute, onde passou a adolescência.

Nascido em Tiro, emblemática cidade portuária de origem fenícia, no dia 15 de julho de 1888, Salim se afastou da terra natal, então sem perspectivas econômicas, a fim de embarcar com destino ao Brasil, opção de vida melhor para milhares de conterrâneos seus. Emigrou na companhia do irmão Michel e da mãe Rosa.

Em 1914, pela diretriz ferroviária, o jovem sapateiro chegou a Avaré, ainda envolta de verdejantes cafezais e de comércio incipiente. Artesão empreendedor, logo abriu os primeiros negócios e conquistou o respeito da freguesia. Primeiro manteve a Sapataria São Chrispim na rua São Paulo, depois a Sapataria Syria no Rio Grande do Sul, concluindo os serviços na Casa Esperança num sobrado que ergueu no Largo São João. Casou-se em 24 de abril de 1927 com Assma Gabe, uma patrícia.

Abençoou o enlace, celebrado na velha matriz, o padre José Fernandes Tavares. Apadrinharam os noivos figuras respeitáveis, como o comerciante Abrahão Ismael, o fazendeiro Ludovico Lopes de Medeiros e o jovem médico Paulo Araújo Novaes. Pais amorosos, dona Assma e o sr. Salim formaram numerosa prole. Dos dez filhos, quatro homens (Antônio, José, Elias e Paulo) e seis mulheres (Rachel, Esther, Helena, Maria, Cecília e Therezinha), o primogênito se destacou na medicina e na política, enquanto os outros três optaram pela advocacia. As filhas, por sua vez, todas se diplomaram no magistério, onde algumas fizeram elogiadas carreiras.

TINO MERCANTIL E ESPÍRITO PATRIÓTICO

Homem religioso, prático e atuante, Curiati falava o português sem esconder o sotaque, o francês fluentemente e, em família, o dialeto natal. Patriota, o sapateiro apreciava confessar a sua paixão pelo Brasil, tendo se naturalizado em 1928. Ciente da gravidade da conjuntura política, apoiou como voluntário o movimento Constitucionalista de 1932. Depois, filiou-se à União Democrática Nacional (UDN). Contribuiu na construção do atual Santuário Nossa Senhora das Dores, na criação do Asilo São Vicente de Paulo e foi conselheiro da diretoria da Santa Casa de Misericórdia. Membro da Sociedade Fraternal Síria, Curiati apoiava iniciativas culturais como a dos Escoteiros Católicos, grupo de rapazes do qual fez parte seu filho Antônio, mais tarde médico sanitarista que iria se projetar na política paulista como deputado, secretário de Estado e prefeito de São Paulo.

Por mais de meio século, o modesto lojista atuou de maneira positiva nas lides econômicas do município. Em 1933, coube a ele motivar a fundação da Associação Comercial de Avaré, de cuja diretoria fez parte com discrição, muito embora tenha sido o seu principal idealizador. Homenageado durante o 1º Centenário da cidade como o seu comerciante modelo, Salim Antônio Curiati faleceu em 29 de agosto de 1967. Hoje, uma rodovia, uma avenida e uma escola levam o nome desse esperançoso árabe que se fez brasileiro por amor a Avaré.

Do livro “Avaré em memória viva”, vol. IV, de Gesiel Júnior, Editora Gril, 2014