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Charles Lotfi – Dedicado de corpo e alma às suas paixões – o Líbano e o Brasil

Na biografia de Charles Lotfi, Brasil e Líbano são igualmente importantes em sua personalidade de trabalho e disciplina. “Sempre estive muito ligado ao Líbano e a tudo que eu aprendi lá. Mas quanto mais eu me lembro do Líbano, quanto mais eu tenho saudade do Líbano, dos bons tempos que eu passei lá, mais eu amo o Brasil”, fazia questão de ressaltar. E mostrava preocupação com as gerações mais jovens, para que nunca esquecessem as raízes libanesas: “O Líbano não deve morrer para os descendentes dos libaneses. Nós não podemos abandonar nossas raízes”, dizia.

Em 21 de dezembro de 2020, Charles Lotfi morreu de causas naturais e foi sepultado no dia seguinte, no cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. Ele deixou três filhos – Olga Maria, Miguel Tadeu e Sílvia Rosa – e dois netos – Luana e Gabriel – além de sua irmã, Carole. Em janeiro deste ano, o governo de Minas Gerais pronunciou manifestação de pesar pela morte de Charles Lotfi, por iniciativa do deputado Gustavo Mitre, em reconhecimento ao legado deixado pelo empresário para a sociedade mineira.

A Família Lotfi no Brasil

Quando Milhem Lotfi, pai de Charles Lotfi, chegou ao Brasil em 1908, encontrou três tios que viviam em Corumbá desde 1880, trabalhando nos setores de navegação fluvial, comércio e indústria. A vinda para o Brasil se deu devido à repressão que os turcos exerciam no Líbano. De acordo com o relato de Lotfi, seu pai teve problemas quando um inspetor turco, em visita ao colégio onde ele estudava, ordenou que o rapaz falasse turco, mas ele se recusou. Em represália, a autoridade ameaçou prendê-lo seis meses depois, quando voltaria ao colégio. “Meu avô, para evitar a prisão do filho, o mandou para encontrar os irmãos dele que moravam em Corumbá. Segundo ele, o Brasil era a terra da liberdade”, contou Lotfi. Em Corumbá, a exemplo dos tios, Milhem Lotfi abriu seu próprio negócio de navegação fluvial em sociedade com um patrício também recém-chegado. “Ele tinha uma lancha de passageiros na rota Porto Esperança – Corumbá – Cuiabá. A lancha puxava duas chatas – embarcação que carregava mercadorias. A viagem levava um mês, principalmente no tempo de seca”, dizia o empresário. O negócio estava indo muito bem até que Milhem aos 39 anos, decidiu viajar pela Europa e visitar os pais no Líbano. Em sua terra, conheceu Olga Abdi, de 19 anos, com quem se casou, fazendo a promessa de que viveriam no país. O casal veio ao Brasil com planos de vender a parte de Milhem na empresa e retornar ao Líbano. Mas o que encontraram mudou o destino da família. O sócio de Milhem estava mergulhado em dívidas e havia dilapidado o patrimônio da empresa. “Meu pai e minha mãe não puderam voltar. Então, permaneceram aqui para tentar recuperar o que tinham perdido”. Lotfi lembrou que, apesar do desejo de sua mãe de voltar à sua terra, o pai amava o Brasil. “Os cinco filhos do meu avô, entre eles meu pai, vieram para o Brasil. Só ficaram no Líbano meus avós. Meu pai amava o Brasil. Ele tinha gratidão pela terra que o recebeu. Já a minha mãe sofria muito com a temperatura de 40 graus de Corumbá e sempre quis voltar ao Líbano, mas ela tinha um espírito de justiça muito forte e aguentou, acompanhou meu pai em todos os momentos”, dizia emocionado.

A vida do casal no Brasil não foi fácil, mas a família conseguiu superar a crise e criar dignamente os dois filhos. “Meu pai trabalhou contratando garimpeiros para extrair diamantes e voltou ao ramo de navegação fluvial. Ele sempre foi um homem bom e nunca prejudicou o próximo. Minha mãe era muito rigorosa e a educação que recebi teve muito a participação dela. Existe uma frase em francês: Aimez votre prochain: ‘Ame seu próximo’. Essa foi uma lição que aprendi com meus pais e sigo por toda a trajetória da minha vida”, Lotfi não deixava de frisar.

A reportagem completa pode ser lida na Carta do Líbano – Edição 180

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