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Em números, a nova grande onda de migração do Líbano

Por Assad Frangieh
União Libanesa da Diáspora
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04/09/2021

A primeira grande onda migratória aconteceu nos fins do século 19 após a guerra civil em 1860. A segunda onda foi durante a primeira guerra mundial quando mais de 300 mil habitantes do Monte Líbano migraram em direção à Europa, Américas e Austrália e, a terceira onda entre 1975-1990 durante a guerra civil. Estima-se que mais de 990 mil libaneses deixarão o Líbano, desta vez em direções ao Ocidente, ao Golfo Pérsico e à África. Nestas três grandes ondas, a insegurança sobre a vida por causa das guerras e dos conflitos, assim como a fome, o desemprego e a falta de expectativa de soluções duradouras eram os elementos básicos desses movimentos migratórios, em sua grande parte sem volta.

Há quase 400 dias, o Líbano vive sem um gabinete ministerial efetivo enquanto sua crise social e econômica vem crescendo de forma exponencial e sem expectativa de ao menos interrompê-las. Os indicadores de inflação, desemprego, pobreza se somam aos indicadores de migração em todos os níveis, em específico de seu capital social de intelectuais, médicos, professores, industriais e prestadores de serviços. Segundo o Prof. Ali Faur, especialista em Geografia e Chefe do Centro de Habitação e Desenvolvimento, a migração se manteve constante nos últimos cem anos, desde 1920. No único censo realizado no Líbano em 1932, havia um milhão de habitantes sendo 225 mil imigrantes. Entre 2006 até 2018, a média de migração permaneceu em torno de 50 mil por ano. Em 2019, 65 mil libaneses deixaram o Líbano e estima-se que 150 mil farão o mesmo em 2020, o que representa 4% da população libanesa. A expectativa é que em 2021, 7% da população libanesa conseguirá migrar, serão 280 mil. A grande maioria são especialistas e jovens formados, constituindo uma perda significativa do capital social do Líbano.

O salário mínimo de U$ 500 em 2019, hoje se equivale a U$ 33. 45% da população não tem plano de saúde onde o setor público na saúde representa menos de 20% da assistência gratuita. Outros indicadores desta migração, são os pedidos de nacionalidade e exílio humanitário. 225 mil libaneses receberam seus processos de migração em 33 países enquanto isso, o Líbano é o país que mais recebeu, proporcionalmente à sua população, refugiados palestinos e deslocados sírios. Talvez seja o único país no mundo que recebe muito mais estrangeiros e vem perdendo seus nativos na emigração.

Por outro lado, há um sinal positivo nisso. A emigração constitui um colete salva vida econômico. Mais de 100 bilhões de dólares foram enviados pelos emigrantes nos últimos 15 anos. Hoje, além das Filipinas e de Bangladesh, 55% da população do Líbano recebe pelo menos um aporte financeiro mensal do Exterior e segundo as casas de câmbio no Líbano, tem sido transferido nos últimos meses, a média de U$ 150 milhões mensal, razão pelo sustento da crise social em específico no combate à fome.

Há no Líbano 8 milhões de habitantes sendo apenas 50% libaneses. Muitos dos refugiados e deslocados nasceram no Líbano que os tornarão de certa forma população com direitos básicos de sustentação na saúde, alimento, habitação e trabalho. Demograficamente, serão maiores que os nativos libaneses. Como será possível reverter esta situação? Fica a pergunta mesmo que uma das nossas missões na Diáspora, seria participar e ajudar na construção de um Futuro melhor a todos.

Agradecimentos à LTV Plus de Beirutehttp://beirutplus.tv/live/

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