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Líbano – o longo “Day-After” de 4 de agosto

A gavel monument symbolising justice is seen in front of the damaged grain silos at Beirut port on August 4, 2021, as Lebanon marks a year since a cataclysmic explosion ravaged the capital Beirut. (Photo by JOSEPH EID / AFP)

Por Dr. Assad Frangieh

Porque dois anos depois, ainda se clama por Justiça na responsabilidade da macro explosão do Porto de Beirute em 2020?

Para entender o mínimo de como as coisas são conduzidas no Líbano é preciso saber que a jurisdição da administração do Porto recai sobre quatro ministérios: o Ministério de Trabalho, o Ministério da Justiça, o Ministério do Interior (Segurança Pública) e o Ministério da Defesa que inclui as Forças Armadas desde a Inteligência e o Exército. É também relevante a importância do Porto de Beirute como alicerce econômico que vai além das fronteiras libanesas já que é o portal de trânsito para a exportação e importação desde o Líbano até os países do Golfo passando pela Síria, Iraque e Jordânia.

As investigações iniciais centradas na mão da Justiça libanesa foram realizadas por peritos civis e militares libaneses e o envolvimento de uma dezena de Inteligências de países que até hoje mantêm em segredo os resultados de seus trabalhos inclusive das autoridades e da Justiça libanesa. Encurtando a história e após a desistência de dois Juízes, a atuação do Juiz Tarek Bittar foi travada por mais de 22 solicitações jurídicas questionando suas decisões sendo as principais acusações de convocar seletivamente funcionários do primeiro e segundo escalão e dispensar outros dos Ministérios de Justiça, das Forças Armadas, parte deles ex-ministros e Premiês que têm suas imunidades cobertas pelo Parlamento do Líbano. Todas estas solicitações estão no aguardo do julgamento de um Tribunal Superior que se encontra incompleto na sua composição por razões diversas. Enquanto não se resolve as indicações desses Juízes nos quais os Poderes Políticos possuem suas ascendências, este Tribunal não se forma e continua tudo estacionado, inclusive pessoas presas sem acusação formal há mais de 2 anos.

Não há dúvida que a displicência de várias autoridades do Porto é a principal razão da catástrofe, porém o que se quer buscar se realmente foi apenas a irresponsabilidade de autoridades portuárias, de instâncias jurídicas e de ingerência política, a causa de tudo isso ou há por trás uma conspiração maligna contra o Líbano. Foram mais de sete anos segurando uma macro bomba no coração de Beirute. É difícil aceitar apenas as provas da displicência. Hoje, o sentimento de impotência e da injustiça é universal para os libaneses já que isso não conforta quem saiu ileso da explosão e muito menos quem perdeu seu ente querido neste fatídico 4 de agosto.

Só Deus para nos confortar.

Artigo escrito para a União Libanesa da Diáspora e para o Grupo de Estudos Geopolíticos do Oriente Médio

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