A União Libanesa Cultural Mundial sediada no prédio do Ministério de Exterior do Líbano é o órgão representativo oficial da Diáspora Libanesa. A União Libanesa da Diáspora é sua filial em São Paulo.    A União Libanesa da Diáspora é uma Associação Brasileira que agrega líderes e membros da Comunidade Libanesa no Brasil com sede em São Paulo.

Básico, delicioso, simplesmente perfeito. Conheça a história do quibe, uma criação de tempos difíceis, uma iguaria da culinária árabe que encanta o mundo desde a Idade Média.

Sabemos que o quibe é um dos pratos de maior destaque na culinária libanesa. E que uma mesa sem a presença do “kibbeh nayyeh” está incompleta, não importa quantos
manjares e receitas luxuosos sejam servidos. É conhecido como kibbe, kebbah, kubbeh, kubbah, kibe, kebbe e quibe, ao longo de todo o Oriente Médio. Mas afinal, qual a origem histórica dessa iguaria, e como nossos ancestrais a criaram?

O relato mais atual dessa história vem da Argentina e envolve duas proeminentes figuras da igreja católica. Conta-se que há alguns anos dom Charbel Merhi, bispo maronita na Argentina entre 1990 e 2012, em visita ao amigo arcebispo Jorge Mario Bergoglio – hoje o papa Francisco – falou sobre o vale Qannoubine, região ao norte do Líbano. Teria sido lá, na aldeia que dá nome ao vale e nas aldeias vizinhas, que ocorreu a criação do tradicional prato. O bispo Merhi explicou ao amigo que as origens do quibe cru remontam à  época da invasão mameluca à região de Bsharri, no norte do Líbano, durante a Idade Média, em 1283. Os mamelucos eram soldados de uma milícia egípcia constituída por escravos turcos. Formaram uma casta militar que conquistou o poder no Egito. Em 1798, foram derrotados por Napoleão na batalha das Pirâmides e foram exterminados por Mohammed Ali, em 1811. Houve um cerco de sete anos e uma torre foi erguida na entrada da caverna de “Assi al -Hadath”, para monitorar a movimentação do povo local.

Devido às condições precárias da população, quando as pessoas conseguiam um pouco de carne crua, faziam uma mistura com trigo (burgul) que era batida com uma pedra talhada. O alimento era ingerido cru, para que o fogo do cozimento não chamasse a atenção dos invasores mamelucos. O papa Francisco ficou impressionado com o episódio e resolveu incluí-lo em seu diário pessoal. E disse ao amigo: “Passei a amar os maronitas por duas razões. São Charbel, que vejo onde quer que eu vá, e o quibe cru, que  representa a luta contra a opressão e a injustiça”. O “kibbeh” é uma mistura única de trigo umedecido com outros ingredientes. Tipicamente preparado com carne de cordeiro, é considerado o prato nacional do Líbano, consumido como lanche em refeições rápidas ou como prato em ocasiões comemorativas. Pode ser servido cru, assado ou frito; ou em versão vegetariana, com recheio de batatas, abóboras e tomates. Sempre acompanhado por folhas de hortelã e regado com azeite.

A palavra “quibe” deriva de um vocábulo árabe que significa “formar uma bola” ou “uma forma circular”. O quibe frito, conhecido como “kebbeh nabilseeyah”, é moldado em forma de bola, recheado e imerso em óleo quente. Já o “kebbeh nayyeh”, é a mistura da carne de cordeiro com trigo combinada com especiarias e purê de cebola. A mistura básica é  feita com um pouco de água gelada e em seguida colocada em pães achatados. Na antiga tradição libanesa, os animais eram abatidos aos domingos e em dias de  comemoração, e a carne crua consumida imediatamente.

Fonte da Matéria: Revista Carta do LíbanoEdição 193

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