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Riad Salameh sai do trono do Banco Central do Líbano – de profeta inspirador para demônio proscrito

Por Wassef AwadaHiwarnews Especial – tradução Dr. Assad Frangieh

Riad Salameh despediu-se esta tarde (01/08/2023) do Banco Central do Líbano, depois de trinta anos completos no trono da governança que o instalou rei sobre os tesouros do Estado, o dinheiro dos depositantes e o mercado de câmbio, reinando de acordo com a lei do Sistema Monetário e de Crédito criada há sessenta anos atrás.

Riad Salameh governou a Autoridade Monetária no Líbano durante quatro eras e períodos de “vácuos presidenciais” difíceis, desde a era do presidente Elias Hrawi até os presidentes Emile Lahoud, Michel Suleiman e Michel Aoun, e ele permaneceu firme em sua posição apesar dos tumultos financeiros e monetários que o país passou. Primeiros-ministros, ministros de finanças e deputados  foram “derrubados” por Riad Salameh. Eles mudaram, ele não.

Durante 27 anos, Riad Salameh foi o guardião da lira libanesa, cujo preço se manteve constante, não ultrapassando os 1.500 liras por 1 dólar. Muitos países do mundo não conseguiram esta façanha. Durante esses anos, Riad Salameh tornou-se um modelo para os governantes dos bancos centrais do mundo. Ele recebeu honras e distinções que muitos de seus colegas no exterior não receberam, a ponto de alguns pensarem que ele era um profeta inspirador. Mas os três últimos anos Riad Salameh foi revelado e se transformou em um demônio amaldiçoado, cuja cabeça é procurada em mais de uma nação.

No auge do poder de Riad Salameh e de sua profecia, houve quem advertisse contra sua política financeira, principalmente fixando a taxa de câmbio da forma como era praticada. Ministros, especialistas e economistas alertaram e declararam ruidosamente que íamos entrar em colapso, mas mesmo esses não esperavam uma queda monetária tão acentuada.

Claro, não é justo responsabilizar Riad Salameh sozinho por este desastre. Talvez ele tenha a maior parte de responsabilidade, mas há outros demônios que sucessivamente assumiram o poder político. Eles exerceram seus poderes na forma de “E que venha o dilúvio!”, então a inundação varreu o país e seu povo, e com eles o Governador do dinheiro do Líbano.

A história de Riad Salameh não terminou e não terminará aqui. Ele é procurado em mais de um país no mundo, especialmente na França e na Alemanha, sob a acusação de lavagem de dinheiro, e é responsabilizado com base em “Onde conseguiu isso (sua fortuna)?”. Apenas o judiciário libanês flerta com Riad Salameh em investigações judiciais que alguns veem como folclore.

Riad Salameh tem muitos segredos por trinta anos, especialmente nos últimos anos. Talvez ele não ouse revelá-los e expor seus donos, a menos que o homem seja encurralado e a prisão se torne seu último recurso. Então, muitas cabeças podem cair, grandes e pequenas, isso não pode ser contado. E então Riad Salameh poderá gritar de dor: “Oh Deus, proteja-me dos meus amigos e do meu círculo íntimo, enquanto meus inimigos, eu cuidarei deles!!

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