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U$ 12 bilhões são as perdas das empresas aéreas com as sanções sobre a Rússia

Aviões de transporte ocidentais estão nas garras da Rússia… e as perdas de suas empresas são de US $ 12 bilhões.

Por Dr. Ali Darbej – pesquisador e professor universitário. Traduzido por Dr. Assad Frangieh

O presidente russo, Vladimir Putin, não demorou a responder ao pacote sem precedentes de sanções internacionais que visavam seu país, ao transformar a proibição internacional de aeronaves imposta ao setor de aviação civil e comercial russo (que impedia que a frota aérea de Moscou sobrevoasse um grande número do espaço aéreo dos países ou entrando em seus aeroportos) numa oportunidade, colocando a mão em aviões ocidentais localizados em aeroportos russos, a maioria dos quais são de propriedade de empresas europeias e americanas. De fato, as autoridades russas pretendem manter os aviões registrados no exterior no país, depois que Putin discutiu publicamente a nacionalização dos ativos de empresas estrangeiras, o que não deu esperanças às entusiasmadas empresas ocidentais de recuperar os aviões alugados a companhias aéreas na Rússia.

Quantas aeronaves ocidentais alugadas para transportadoras russas estão atualmente em Moscou?

Uma consultoria chamada IBA revela que 523 aviões foram alugados para transportadoras russas por empresas de fora do país, entre elas, 101 são fretados pela S7 Airlines e 89 pela Aeroflot. Como resultado, ambas as empresas deixaram de voar internacionalmente devido à proibição de voos em Moscou. Em contraste, a AerCap, a maior empresa de leasing de aeronaves comerciais do mundo, possui 142 aeronaves fretadas na Rússia, mais do que qualquer outra empresa, segundo o IBA. Segundo o jornal “The New York Times”, de acordo com uma recente divulgação financeira, a empresa disse que “suas aeronaves na Rússia constituem cerca de 5% de sua frota”. Depois, há a SMBC Aviation Capital, a segunda em maior risco, com 35 aeronaves fretadas na Rússia. No final de fevereiro, a Russian Airlines estava usando 18 aeronaves de propriedade da BOC Aviation, ou cerca de 4,8% da frota da empresa.

E as perdas financeiras e as repercussões catastróficas para essas empresas?

A Ishka, uma consultoria de aviação, estima o valor dessas aeronaves em cerca de US$ 12 bilhões. Sob sanções europeias, arrendadores como AerCap e SMBC, com sede na Irlanda, têm até 28 de março para rescindir contratos com companhias aéreas russas e retomar seus aviões. Por sua vez, essas empresas consideram essa data irrealista para tirar centenas de aviões do país. O maior desastre, para essas empresas, é que mesmo que seus aviões tenham sido recuperados da Rússia – talvez alguns aviões tenham sido recuperados no exterior antes que os voos internacionais parassem – há outro problema mais complexo esperando por eles, pois especialistas apontam que esses aviões restaurados, não beneficiam muito seus proprietários sem registros de manutenção precisos que acompanham cada aeronave, e muitas vezes são armazenados pelas próprias companhias aéreas. Quanto mais tempo o avião fica preso na Rússia, maior a preocupação de que o trabalho na fuselagem, motores e sistemas de voo do avião não seja registrado, fazendo com que seu valor despenque. De acordo com Quentin Brazzi, fundador e CEO da ACI Aviation Consulting, “a menos que você tenha esses registros, a aeronave é praticamente inútil. É literalmente mais importante que o original”.

Por outro lado, os prejuízos para as empresas de leasing não se limitarão apenas à recuperação das aeronaves, pois as consequências financeiras da apreensão de aeronaves na Rússia também são de grande alcance, pois essas aeronaves são financiadas por meio de vários métodos, incluindo financiamento de bancos , as próprias empresas de arrendamento mercantil e os investidores em dívida “papel-moeda”. Também são afetadas as seguradoras e os resseguros, que estão preocupadas com esse complexo problema e enfrentam suas maiores perdas potenciais desde os ataques de 11 de setembro. Em suma, após o desastre dos altos preços do petróleo que atingiu o Ocidente em primeiro lugar, as companhias aéreas ocidentais são as maiores vítimas das sanções dos EUA contra a Rússia.

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