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Uma análise sobre as fronteiras marítimas e a disputa pelos poços de Petróleo e Gás – linha 29

Por Bernard Jabre – Transmitido em grupo social por Dr. Arthur Jafet  – Traduzido do francês por Dr. Assad Frangieh

De acordo com os mapas do Estado-Maior do Exército Francês de 1920 e do Tratado de Versalhes, do Exército Libanês de 1926, bem como os mapas do Estado-Maior Geral assinados por Israel durante o armistício de 1949, bem como que todos os mapas enviados à ONU para a delimitação de sua fronteira e reconhecidos pela ONU, a fronteira marítima internacional do Líbano com Israel começa na base da ponta continental da rocha de Ras Al Nakoura. Este ponto marca uma fronteira marítima com Israel chamada linha 29.

Agora, na época de Rafik Hariri, as primeiras negociações começaram com a invenção de uma linha fictícia introduzida na dobra política libanesa chamada linha 23 e cujo ponto base está muito mais ao norte do que Ras Al Nakoura. A Linha 23 dá a Israel 1.600 km2 de superfície marítima em comparação com a Linha 29 reconhecida internacionalmente, permitindo que ela abranja todo o campo de gás Karish, bem como outros campos potenciais de gás e petróleo. No entanto, de acordo com a linha 29, a reserva de Karish é compartilhada entre Israel e Líbano pelo menos metade a metade.

Após o assassinato de Rafik Hariri, foi o Primeiro Ministro Siniora quem assumiu a rota já imaginada da linha 23 e que formalizou em 2010 a posição libanesa da linha 29 em direção à linha 23 sem qualquer razão. Deu a Chipre cerca de 2.000 km2 de espaço marítimo ao aceitar uma curvatura da fronteira marítima com Chipre sem razões e sem contrapartidas oficiais. O verme foi, portanto, introduzido no fruto. Posteriormente esta posição libanesa da linha 23 foi enviada à ONU durante o tempo da presidência de Michel Sleiman e do governo Mikati sob o protocolo 6433. As negociações subsequentes entre os Estados Unidos e Nabih Berri formalizava um “acordo-quadro” entre si e os Estados Unidos Estados a negociar com Israel no âmbito da linha 23 eliminando completamente a linha 29 de todas as negociações. Foi assim que a posição do Líbano ficou presa em uma armadilha armada por ele e seus próprios políticos sem nenhuma razão oficial.

Enquanto isso, Israel reivindicou linhas além da linha 23, chamada linha 1 e linha HOFF, a fim de superar seu espaço marítimo, mordiscando ainda mais espaço no Líbano, não deixando mais a possibilidade de o Líbano retornar à linha 29 e empurrando o Líbano para reivindicar pelo menos a linha 23 como o mal menor. A catastrófica situação econômica e financeira libanesa não permite mais que o Líbano possa reivindicar sua linha 29. Posteriormente, uma comissão do exército libanês com o Coronel Yassine demonstrou a Israel e aos Estados Unidos que, de acordo com todos os mapas reconhecidos por Israel e pela ONU, linha 29, que é a linha de fronteira marítima entre o Líbano e Israel. Com isso, Israel deixou a reunião imediatamente e interrompeu todas as negociações com o Líbano.

Assim os Estados Unidos disseram ao Líbano que violam o acordo-quadro. As restrições sobre o Líbano são tais e em uma situação financeira tão catastrófica, para não mencionar as sanções financeiras americanas a Gebran Bassil, que o presidente Aoun finalmente deseja manter a linha 23 para que, se for aceita, os Estados Unidos possam eliminar as sanções sobre seus genro Gebran Bassil. Assim, a posição do presidente Aoun seria dar o espaço de gás do karish a Israel completamente (ao invés de fifty/fifty) para ter como contrapartida o fim das sanções dos EUA contra seu genro e também para outros políticos como Berri e Mikati possam concluir um acordo com Israel com a linha 23 e permitir que o Líbano extraia gás em outros lugares.

Empresas de petróleo e gás como a Total – Eni e Novatek sinalizaram ao Estado libanês que não estavam prontas para perfurar até que a questão da delimitação da fronteira marítima com Israel fosse concluída (sem contar a fronteira marítima com a Síria). A cereja no topo do bolo é que o negociador americano Hamos Hochstein, ele próprio um judeu de origem israelense e está no interesse de Israel, portanto, posando como juiz e defensor de fato.

A posição libanesa tem a possibilidade de ser modificada e basta enviar uma carta à ONU mostrando que a linha natural e oficial do Líbano é construída na base da rocha de Naquoura, portanto, mudando da linha 23 e retificando-a na linha 29. No entanto, esta carta não está sendo assinada pelo Presidente Aoun, por Berri ou por Mikati que teriam “seus pés e mãos amarrados”.

Tudo isso é muito triste, mas estamos caminhando para um “acordo” para a linha 23 por restrição financeira ao Líbano e a impossibilidade de voltar atrás por nossos políticos. A partir daí pensar que nossos políticos estão vendendo seu país por interesses pessoais, só falta um passo. Além disso, a traição dos interesses do Líbano é coberta pela imunidade legal de nossos políticos.

É surpreendente que os deputados libaneses silenciem sobre esta questão e que os partidos políticos libaneses também silenciem sobre esta questão, especialmente as Forças Libanesas e os Kataebs. A ironia é que seria a posição do Hezbollah que estaria mais próxima do interesse geral do Líbano com a linha 29. Tudo isso é muito triste para o Líbano, que perderá, portanto, grande parte de seu espaço marítimo por incompetência de seus políticos ou pela corrupção.

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